Suíça 2016: A profecia dos estrangeiros

abril 8th, 2016 | by Filipe Lima
Suíça 2016: A profecia dos estrangeiros
Análises 2016
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Olá, amigos-leitores do ESC12points!

Não falei que o sorteio de 2016 tinha sido ótimo para mim? Pois é! Nas minhas duas primeiras análises, falei sobre canções que estão no top ten do Ranking ESC12points (e no meu pessoal, também). Esta semana, avalio um país que, apesar de não estar nos dez primeiros do ranking do site, está no meu top five pessoal…

 

O país

A Suíça será para sempre um país importante na história do Eurovision. Suas duas vitórias são das mais marcantes de todos os tempos: é do país a vencedora da primeira edição, em 1956 (Refrain, da arroz-de-festa Lys Assia), e o triunfo da então revelação Céline Dion, em 1988.

Em 2015, apesar da boa canção, Mélanie René terminou como a última colocada geral das semifinais eurovisivas. Foi a oitava vez que a Suíça fica com o último lugar de um Eurovision (cinco vezes em finais, três em semis).

 

A artista

sou-ricaEla é Rykka!

Christina Maria Rieder nasceu em 1986 em Vancouver, no Canadá. Por muito tempo, seu trabalho era voltado para o folk – e, neste período, ela ainda assinava as canções como Christina Maria. Foi quando ela resolveu mudar totalmente de gênero, passando do folk para o pop, que o nome artístico Rykka surgiu. Atualmente, ela divide a vida entre Zurique, na Suíça, e o seu país-natal, o Canadá.

Rykka foi escolhida para representar os suíços no Eurovision após vencer a Final Nacional local, o ESC 2016 – Die Entscheidungsshow. Nenhuma surpresa: afinal, a canção dela era milhões de vezes melhor do que todas as outras concorrentes, mesmo que somadas em suas principais qualidades.

 

Análise

Videoclipe de The Last Of Our Kind / Apresentação na Final Nacional

rykka1Ela também é Rykka

A Suíça tem uma regra que parece bem clara: se é estrangeiro, é bom. Uma das duas vitórias da Suíça, todos sabem, foi com a estrangeira Céline Dion. E não fica somente nisso. Nos últimos 25 anos, os suíços só conseguiram dois top tens. Os dois – surpresa, surpresa! – foram com estrangeiros: a canadense Annie Cotton, em 1993, e a banda estoniana Vanilla Ninja, em 2005.

Apostar em Rykka é apostar nesta superstição duas vezes. A primeira, como já mencionado, porque só estrangeiros conseguiram top tens para o país nos últimos 25 anos. A segunda, ainda mais forte, porque as duas vezes que os suíços mandaram especificamente canadenses, o resultado foi de pódio (a vitória de Céline Dion e o terceiro lugar da já citada Annie Cotton).

Mas não há superstição que resista sem uma boa música, não é? Neste caso, está tudo bem, porque a Suíça tem, sim, uma ótima canção. The Last Of Our Kind é um pop bastante moderno, altamente antenado com o que está fazendo sucesso no cenário pop mundial – dá para sentir uma vibe meio Sia na música. Caso seja bem executado em Estocolmo, pode muito bem cumprir “a profecia dos estrangeiros pela Suíça”, e alcançar um top ten.

Mas é exatamente este o problema: a apresentação de Rykka na Final Nacional suíça foi abaixo do que a canção exige, tanto vocalmente quanto em performance de palco. Pessoalmente, acredito que a canadense tem potencial para mais. E creio que ela esteja se preparando para isso. Se, em Estocolmo, a Rykka mostrar a evolução que dela se espera, ela pode sim repetir Céline Dion e Annie Cotton. Caso contrário, a profecia será quebrada.

 

Em outros anos…

A meu ver, The Last Of Our Kind é um mix de Warrior, da Nina Sublatti, e Love Injected, da Aminata. Mas, preciso repetir aqui, tanto a Nina quanto a Aminata deram verdadeiros shows de performance vocal em suas entradas. Este tipo de música pede isso. Rykka precisa provar que pode fazer o mesmo. Se ela o fizer, uma boa posição (assim como as duas de 2015 conseguiram) pode acontecer.

 

A favor… para quem acredita, a superstição. Para quem não acredita, a música.
Contra… a performance. Ao menos por enquanto.

Na semifinal… está na segunda semifinal, ao lado de diversos outros pops grandiosos. Estivesse na primeira semi, a classificação pareceria mais clara.

 

Nota do analista (Filipe): 9,5. E não dei nenhum 10. Então dá para ver o quanto gosto da canção.

Ranking ESC12points: 14º lugar
Nota ESC12points: 7,5 (maior nota: Filipe, 9,5; menor nota: Matheus, 6)

Jornalista por vocação e formação, bancário por bolso e sanidade. É fã de Eurovision desde as Afro-Dite, em 2002. Assistiu in loco à final de 2014, em Copenhague, e a todas as noites (inclusive as de júri) do festival de 2015, em Viena. O coração dele (quase) sempre bate pelos vizinhos Itália e Eslovênia.

Comments

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5 Comments

  1. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Grande e excelente Análise, nota 10 para você! Adoro demais essa canção, gostei da posição 14º lugar dos ESC 12 POINTS, espero que a Rykka faça uma apresentação memorável. A Suíça é um dos meus países preferidos da competição, embora eu conheci o EuroVision ano passado, mas amo as entradas suíças de 2012 para cá, inclusive a vitória da Celine Dion também.

  2. Rafael says:

    O que vocês acharam da running order das seminifinais?

    Aliás, achei engraçado que na análise do Azerbaijão você disse que Miracle deveria vir depois da música de Montenegro ou da Estônia, e ela ficou bem no meio das duas hahahaaahu

  3. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Mas Rafael, eu nao adivinhei isso, kkkk, vi hoje depois das ordens definidas.

  4. Fefe Barreto says:

    Rafael, estamos preparando um post especial falando da running order das semifinais! :)

  5. Filipe Lima says:

    Jefferson, muito obrigado pelos elogios! De coração! =)

    Rafael, sabe que eu nem lembrava mais? Mas é verdade: “previ” a colocação do Azerbaijão na running order, hahaha!

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