Sérvia 2016: A classe solitária

abril 15th, 2016 | by Filipe Lima
Sérvia 2016: A classe solitária
Análises 2016
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Olá, amigos-leitores do ESC12points!

Regionalmente falando, 2016 é um ano para os Bálcãs esquecerem. Com poucas exceções (duas, eu diria), a região mandou algumas das piores canções desta edição do Eurovision. Hoje, tratarei exatamente de uma dessas duas exceções…

 

O país

Como eu analisei a Sérvia em 2015, deu para reaproveitar parte do texto abaixo (hehe):

Em competições esportivas, normalmente, a Sérvia herda a história da Iugoslávia e de Sérvia e Montenegro. Para efeitos de estatística, no Eurovision, o mesmo não acontece. Os sérvios só respondem pelo histórico a partir de 2007, quando se separaram de Montenegro. Com isso, o país possui um recorde praticamente inimitável: é o único país que venceu o Eurovision em seu ano de estreia (tirando a Suíça, mas é óbvio que alguém venceria a primeira edição sendo sua primeira participação, dããã!). Foi com a tocante Molitva, da nossa famosa cover do Nhonho, Marija Šerifović.

Depois da vitória de Marija, o retrospecto sérvio é bastante positivo. São outras sete participações, com cinco idas à final – todas elas terminando nas 15 primeiras colocações (com mais um pódio, do titio Željko em 2012, e dois top tens, em 2008, com Oro, e 2015).

2015 viu a “zebra” Bojana Stamenov tornar-se uma das queridinhas dos eurofãs, com Beauty Never Lies fazendo o Wiener Stadthalle virar uma balada enlouquecida durante os três minutos da apresentação. A canção terminou o festival com o décimo lugar, e 53 pontos.

 

A artista

sanja-vucic-1Cadê ZAA ZAA, ZAA ZAA, ZAA ZAA?
Episódio de hoje: Abusando do Photoshop

Sanja Vučić nasceu em Kruševac, na Sérvia, em 1993. O “ZAA” que costuma ser creditado em seu nome artístico vem da banda de mesmo nome, ZAA, da qual Sanja é vocalista desde 2012. E ela não é somente cantora: ela estuda Filologia na Universidade de Belgrado, cidade onde mora atualmente. Sanja fala, além do sérvio, inglês, italiano, espanhol e árabe.

A emissora RTS confirmou a escolha interna por Sanja Vučić em 5 de março, com a canção Goodbye (Shelter) sendo apresentada uma semana depois.

 

Análise

Trecho de Goodbye (Shelter) ao vivo / Videoclipe

sanja-vucic-2Sanja: favor não confundir com Sandhja, nem com Sandy, ou com “e Junior

O pop classudo sempre foi um gênero bastante valorizado no Eurovision. Apesar disso, está ficando cada vez mais raro encontrar uma canção assim no festival. Em 2016, Goodbye (Shelter) é a única música que vai por este caminho. Por isso, a Sérvia merece muitos aplausos: a escolha não somente atende a uma demanda do público eurovisivo, como a atende sozinha. Em outras palavras: o público do televoto e os jurados que gostam deste tipo de música votarão em peso na entrada sérvia, já que ela será a única opção do estilo.

Para este gênero musical, ter boa voz é primordial. E Sanja Vučić tem – ela disputaria facilmente o cargo de Christina Aguilera dos Bálcãs com a Maja Keuc. Já que a voz está “garantida”, a única preocupação é saber como será a apresentação. Normalmente, para assegurar uma performance vocal grandiosa, a cantora precisa ficar mais parada no palco. E inércia, no Eurovision, é perigo de flop. Por isso, os fatores complementares (telão, comportamento de backing vocalists, etc.) devem estar afiados para “repor” a provável falta de movimento da Sanja.

A tendência é de que a Sérvia saiba fazer essa “reposição” bem, garantindo uma boa apresentação para Sanja. O país tem um histórico muito bom quanto a caprichar nas performances de palco – Čaroban e Beauty Never Lies são bons exemplos disso. Porém, não é possível ter garantia total de que será assim, visto que eles já escorregaram uma ou duas vezes, no passado…

Há mais uma última questão que deve ser levada em consideração: Pelo que podemos ver no videoclipe, a Sanja abusa de caras e bocas. E se, por um lado, isso pode ajudar a construir a imagem de classuda; por outro, pode virar um exagero e cair na caricatura. O tempo dirá.

 

Em outros anos…

Impossível ouvir o gênero musical de Goodbye (Shelter) e ver, no videoclipe, o figurino e o cabelo da Sanja, e não pensar na Nina Zilli. E isso é bom sinal para a Sérvia – já que a italiana acabou o Eurovision 2012 (que era muito mais forte do que o atual) na nona colocação. Resta saber se a apresentação e as caras-e-bocas ajudarão ou atrapalharão a Sanja…

 

A favor… gênero que costuma ter boa recepção no Eurovision. Ótima capacidade vocal.
Contra… o risco de ter uma apresentação brega / novela mexicana.

Na semifinal… vai se apresentar na segunda semifinal. A competição é forte. Mas quem conseguir ir à final por esta semi pode sonhar alto.

 

Nota do analista (Filipe): 9. Também estando no meu top ten pessoal (Sim, só fui sorteado para falar de canções que estão no meu top ten, este ano!).

Ranking ESC12points: 21º lugar
Nota ESC12points: 7,5 (maior nota: Filipe e Marcos, 9; menor nota: Matheus, 5)

Jornalista por vocação e formação, bancário por bolso e sanidade. É fã de Eurovision desde as Afro-Dite, em 2002. Assistiu in loco à final de 2014, em Copenhague, e a todas as noites (inclusive as de júri) do festival de 2015, em Viena. O coração dele (quase) sempre bate pelos vizinhos Itália e Eslovênia.

Comments

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One Comment

  1. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Muito boa a analise novamente, gostei da posição 21 do ESC 12points, para mim é mais ou menos isso mesmo, embora não goste muito dessa musica, mas é boazinha.

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