Noruega 2016: Quebrando o ritmo

abril 12th, 2016 | by Fefe Barreto
Noruega 2016: Quebrando o ritmo
Análises 2016
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Olá, caros leitores do ESC12points!

xtina excited

Nesta semana, trago um país nórdico de extremos: quando não consegue ser o recordista de maior pontuação da história do festival, fica na lanterninha 11 vezes. É o famoso país 8 ou 80! Nos últimos três anos, a Noruega tem alcançado o top 10 sem dificuldades. Será que em 2016 eles irão repetir o feito? Agnete, com Icebreaker, tem essa missão difícil para cumprir!

A Noruega no Eurovision

Participações: 54 (52 nas finais)
Primeira aparição: 1960 (com Nora Brockstedt, Voi Voi)
Melhor resultado: Campeã (1985, com Bobbysocks, La Det Swinge; 1995, com Secret Garden, Nocturne; 2009, com Alexander Rybak, Fairytale)
Pior resultado: Último lugar (milhares de vezes 1963, 1969, 1974, 1976, 1978, 1981, 1990, 1997, 2001, 2004 e 2012)

E no ano passado, o que teve?

A dupla estranha Mørland e Debrah Scarlett trouxe a balada simplista, porém emocionante A Monster Like Me para Viena e conseguiram o terceiro top-10 seguido dos noruegueses, ficando na oitava colocação.

Quem é Agnete?

Agnete-Johnsen

Agnete Kristin Johnsen nasceu em 4 de julho de 1994 em Nesseby, Noruega. A cantora iniciou sua carreira quando foi vocalista da banda de pop punk The BlackSheeps – esta que se formou em sua terra natal. O grupo fez sucesso no país, tendo um de seus singles, Oro Jaska, Beana no topo das paradas noruegueses em 2008. Em 2011, o grupo competiu no Melodi Grand Prix, com a canção Dance Tonight – mas terminou na segunda colocação (atrás da Stella Mwangi). No mesmo ano, elas decidiram se separar. Em 2014 ela participou da décima temporada do Dancing With The Stars norueguês, onde consagrou-se campeã. Curiosidade: ela possui origem sami (ou seja, de quem nasceu na região da Lapônia, conhecida como Terra dos Sami, região ao norte da Europa que abrange a Noruega, a Suécia, a Finlândia e a Rússia e que também possui um idioma local, o Sami).

Seleção do Artista

Através do tradicional Melodi Grand Prix, onde competiu pela segunda vez, esta em carreira solo. Agnete competiu com dez artistas e conseguiu alcançar o Gold Final, onde venceu o televoto com 166 mil votos, pouco menos da metade dos pontos de vantagem do segundo colocado, Freddy Kalas (com 88 mil votos). Icebreaker é uma canção de autoria da própria Agnete em conjunto com o sueco Gabriel Alares (que foi autor de Faller da Krista Siegfrieds) e Ian Curnow.

Vídeo de Icebreaker no MGP

Minha reação ao escutar Icebreaker pela primeira vez…

jlaw

ANÁLISE

agnete

A Noruega traz uma proposta bem interessante em 2016. É aquela canção pop com um toque etéreo (usei muito essa palavra nas minhas análises, hein?) e uma voz suave, fora que o refrão acaba cativando a gente e gruda feito chiclete…! Porém, na primeira vez em que ouvi Icebreaker, apesar de achar a música muito boa, ela me causou uma estranheza, que acredito que muita gente também sentiu: o instrumental sofre uma quebra de ritmo bem diferente e inesperada. No bridge da canção (‘baby as I hear your maydaaaay’) você acredita que o refrão será mais puxado para um típico electro pop, aquele batidão e tal, mas aí vem o refrão e… Ele parece que fica mais lento do que o resto da música. O estouro é através da voz da Agnete, mas ainda assim… Agora eu já me acostumei com a canção e ela está no meu Top 10 pessoal, mas quem vai ouvir a música pela primeira vez no dia do Eurovision, pode sentir a mesma estranheza, tornando isso um possível revés.

A performance de Agnete no MGP também é pouco inspiradora – apesar dela ter vencido com facilidade na NF. O tubo onde ela começa a apresentação e depois desce uma escadinha… Como eles irão passar isso para os palcos de Estocolmo, que são bem maiores? Outro problema é que ela tem vocais inseguros no início da canção, onde o tom da voz dela é mais baixo. Fora que eu senti um deja vu danado dessa roupa, né…

norway_randomdance

Margaret X-Berger mandou devolver o vestido, mas costurado ok?

…enfim, se Agnete conseguir resolver esses pequenos poréns, a norueguesa conseguirá tornar sua performance bem mais impactante. Talento ela tem, agora falta mostrar serviço! Ela está na segunda parte da semifinal 2, que tem a Dinamarca como vizinha (e uma música MUITO inferior a sua), e com a sua running order na posição 16, perto do final ela ganha mais força para conseguir a classificação (ainda mais se apresentando antes da medíocre Geórgia). Preocupa sim, o fato dela se apresentar depois da Ucrânia, mas as músicas são bem distintas entre si. Caso classifique, o top 10, porém, está mais difícil de prever para os noruegueses em 2016…

Deja Vu?

Agnete traz uma música que, mesmo com a letra com uma mensagem positiva, ela possui um tom mais sombrio. Em edições passadas,  Randajad, do Urban Symphony (Estônia 2009), Sound of Our Hearts, do Compact Disco (Hungria 2012) e Children of The Universe, da Molly (Reino Unido 2014) eram músicas que traziam aquele ar de mistério para os palcos do Eurovision, mesmo quando a letra delas carregava outra mensagem totalmente diferente.

Vale lembrar: A Noruega tem um histórico bom nos últimos anos e desde 2013 não sabe o que é terminar abaixo do top 10. A semifinal 2, em sua segunda metade, tem várias músicas medíocres, o que pode ajudar a Noruega a se destacar.

É melhor esquecer: A performance semi-apática da Agnete não pode se repetir em Estocolmo, ou teremos uma surpresa negativa. A quebra estranha de ritmo entre o refrão e o resto da música pode causar estranheza para os ouvintes de primeira viagem.

Nota da Fefe: 9/10
Ranking ESC12points: 11º lugar
Nota ESC12points: 8 (maior nota: Gui, 10; menor nota: Marcos, 3,5)

Uma jornalista de formação, mas bancária de profissão, e que ama o ESC desde 2004. Exagerada e ansiosa, tipica sagitariana que nasceu no ano da vitória de Celine Dion, que tem como um de seus campeões favoritos o contestado Dima Bilan em 2008. Portuguesa de sangue, sempre torce por uma final para seus patrícios; mas também é sueca de coração e alma.

Comments

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8 Comments

  1. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Amei sua analise Fefe, realmente também estranhei essa mudança de ritmo na musica nas primeiras vezes mas agora estou acostumado, e ela também está no meu top 10. Sobre a apresentação, ela tem que melhorar, mas a parte do jato de gelo (nao sei se é esse o nome mesmo kkk), tem que continuar, ano passado faltou muito isso, e a Suíça que usou ficou no ultimo lugar da SF. A propósito tenho q falar com vc Fefe que eu assisti seus videos de comentários do RSC 2015 das semifinais e amei ok, concordei com tudo que você disse, adorei!

  2. Duda Saturno says:

    Pra mim, “Icebreaker” é o legítimo queijo de pizza: quando tá esquentando, amolece…

  3. Rafael says:

    Eu sinto tantas emoções diferentes quanto a essa música, parece até a mudança de ritmos que ela tem…

    A primeira vez que eu ouvi eu achei que essa música era um mashup mal feito de Euphoria com Chandelier, sério. Eu fiquei muito chateado quando chegou no refrão e não teve um refrão eletropop épico igual ao de Euphoria. Acho que minha cara ficou igual as taças que estavam na mesa da Agnete quando ela recebeu os votos da Noruega Central: https://youtu.be/9qA0LLY2f5Q?t=2m33s (a propósito, acho incrível que ela recebeu 51.097 votos do Norte da Noruega, ou seja, 8.886 votos a mais que o Rybak – acho que os Samis realmente votaram em peso!). Apesar de eu ter me sentido muito estranho e até meio decepcionado quando escutei essa música pela primeira vez, ela ficou muito tempo na minha cabeça, o que é bem importante no Eurovision, e hoje eu gosto bastante dela (ela está no meu top 20 e as vezes até no meu top 15), mesmo ainda achando estranho essa transição muito abrupta de ritmos!

    Eu acho na real que essa é a música mais decente da Escandinávia esse ano, já que a Dinamarca e a Suécia não colaboraram muito…

    A propósito, eu queria ter falado isso no post da Lituânia, mas já que os comentários não estavam abertos, eu vou dizer aqui: eu acho que esse ano os Bálticos são a nova Escandinávia e a Escandinávia está com a qualidade que a gente geralmente via dos Bálticos até 2014. Só o que eu penso ashahahaa

    A propósito 2, acho interessante que das 43 canções enviadas esse ano, 10 delas tiveram pelo menos um sueco como compositor, a exemplo dessa música!

  4. Matheus Gomes says:

    Olá Rafael, obrigado por avisar sobre a impossibilidade de comentar na análise da Lituânia, vamos resolver o problema.

  5. Matheus Gomes says:

    O Eurovision já viu trabalhos semelhantes em edições anteriores, não é uma canção ruim, mas a falta de novidade me cansa um pouco.

    De qualquer forma, acho que finaliza o festival entre as posições 09 e 14.

  6. Fefe Barreto says:

    Obrigada pelo aviso, Rafael! Estamos trabalhando nisso. :)

  7. Fefe Barreto says:

    Uau. Eu achei que tava falando asneiras naquele vídeo, mas beleza… hahahaha! Muito obrigada pelo carinho viu? :)

    Na verdade o “jato de gelo” que vc tá falando é a fumaça de gelo seco né? Então, o meu problema não é esse, eu acho que a apresentação começa estranha por causa da voz dela. Mas acho que até Estocolmo isso vai melhorar. :)

  8. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Isso Fefe, fumaça de gelo seco, obrigado por me esclarecer. você não falou asneira nenhuma, kkkk, só foi a verdade e foi muito divertido ver os vídeos.

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