França 2016: procurando a vitória

abril 23rd, 2016 | by Dave
França 2016: procurando a vitória
Análises 2016
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Alô, Christina gente linda!

Alguém me explica como esta já é a última análise do ano?! Posso jurar que há menos de uma piscada de olhos eu estava escrevendo a primeira! Obrigado a todo mundo por acompanhar mais uma vez os comentários desta turma louca e linda. *group hug*

Para encerrar o ano de análises como a seção merece, guardamos uma das favoritas a vencer o festival deste ano.

 

O gigante que caiu no sono

A França é um país lindo, que cheira a perfume e que trouxe inúmeras alegrias aos fãs do Eurovision. A alegria com que nos lembramos da Natasha St Pier. Ou, indo mais para o passado, revivendo as músicas francesas dos primórdios do festival, que eram pura classe. Pulamos da cadeira para para dançar com o Jessy Matador (e o seu corista delícia) ou para divar com a Anggun (e os seus ginastas delícias).

Mas vamos ser sinceros: da França de glórias eurovisivas, hoje só temos as lembranças. O país está em um período assustador de inutilidade desde a introdução das semifinais ao festival. Só houve dois grandes destaques franceses neste período: a Patricia Kaas (que conseguiu, em 2009, o único top ten da França desde 2004) e o Amaury Vassili (também delícia, que foi mega favorito em 2011, mas teve que se conformar com uma triste 15ª colocação – que apesar de somente razoável, para o que os franceses têm rendido, é MUITO).

Olha o nível da ruindade: Nas 12 edições desde 2004, a França ficou no bottom five SETE vezes. Em doze anos, o país recebeu somente TRÊS 12 points (um para o Jonathan Cerrada em 2004 e dois para o Vassili) – Love In Rewind, do Dino Merlin, recebeu sozinha mais dozes do que a França em 12 edições de Eurovision; OPA!, também.

Falando em pontos: a França é o país do Big Five que menos pontos somou entre 2004 e 2015 (434, contra 468 do Reino Unido, 566 da Espanha, 741 da Itália e 751 da Alemanha – lembrando que a Itália só está de volta desde 2011). Para piorar ainda mais: nas últimas três edições, SOMADAS, os franceses conseguiram a proeza de receber somente 20 pontos. 20! Traduzindo: A Bonnie Tyler flopou e, mesmo assim, fez mais pontos do que a soma de 2013 a 2015 da França! Lonely Planet (se é que alguém lembra disso) fez O DOBRO de pontos das três últimas entradas francesas somadas.

Sentiu o drama? Ser a França no Eurovision está tão difícil quanto achar papel higiênico na Venezuela.

 

Curriculum Vitae

Depois de quatro anos sem delícias francesas no palco, a France 2 nos traz Amir:

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Em cima ou embaixo da água, é para deixar molhado #badumtsss

 

Até o Amaury ficou ba-ban-do.

Laurent Amir Khlifa Khedider Haddad nasceu na França em 1984. Morou muito tempo em Israel (quem sente o cheiro dos 12 pontos israelenses para ele?), onde participou do reality Kokhav Nolad, em 2006. Depois do show, ele completou o seu serviço no exército local e finalizou os estudos universitários de Odontologia (aposto que parte da turma do ESC12points queria ter cáries neste momento). Amir voltou para a França em 2014 e participou da terceira temporada do The Voice de lá. No time da famossísima Jenifer, ele ficou em terceiro lugar. Em 2015, lançou o hit Oasis, e no princípio de 2016 lançou J’Ai Cherché, a música que finalmente representará a França no Eurovision deste ano.

 

J’Ai Cherché

Vídeo oficial

Ninguém pode negar que J’Ai Cherché é a música mais contemporânea, grudenta e competitiva que a França mandou em anos (para não dizer décadas). A canção tem estrutura, um refrão super chiclete (quem nunca cantarolou “you-u-u-u-uh” se retire imediatamente da sala e vá conversar com o diretor!), palmas para bater e uma melodia muito empolgante. E também tem refrão em inglês. Surpreendentemente, a mistura bilíngue fica muito natural e não soa nada forçada (Francesca: consulta com o Amir sobre inglês E sobre seus dentes, POR FAVOR).

Qual é o maior problema da música? O hype que se formou em torno a ela. É tão fora do comum que a França escolha uma música decente, que muitos dos eurofãs confundiram surpresa com favoritismo (o Amir é o segundo favorito a ganhar o festival, perdendo só para a Rússia do também delícia Sergey Lazarev). A gente sente tanta falta da França old school, a gente quer tanto gostar da França, a qualquer custo, que no primeiro sinal de coisa boa, a gente acaba exagerando. Sejamos sinceros: é para isso tudo, mesmo? Você consegue se imaginar, daqui a alguns anos, ouvindo J’Ai Cherché, e comentando “Olha! A vencedora de 2016!”?

A França pode ganhar? Claro que sim. Seria legal se isso acontecesse? Óbvio. Mas, aí, o hype já não ajuda. É sempre necessário lembrar que, da gente que vota na final do Eurovision, os eurofãs representam uma porcentagem pequena demais para ser relevante. A música precisa estar acompanhada de uma boa apresentação no palco. E, caso ela seja tão sem sal quanto no Eurovision In Concert, a França vai mais uma vez conseguir um resultado inferior ao que se espera.

Como o Filipe diz: a França evoluiu. Ao longo prazo, dá para ter esperanças. Para este ano, porém, eu não sei…

 

Heroes: enfim uma música competitiva vinda da França. Posso citar fator delícia? Posso sim, porque eu que escrevo.

Zeroes: sobrevalorizada pelos eurofãs, risco de apresentação sem sal.

Draw: ainda não definido, a França espera na grande final. Depois, do mesmo jeito que eu falei para Montenegro, Geórgia e Bielorrússia deverá pegar o primeiro avião a casa. Porque a competição já terá acabado, dãããã.

Nota do editor: 8,5

Ranking ESC12points: 1º lugar

Nota ESC12points: 9 (maior nota: Gui e Neto, 10; menor nota: Andreas, 8)

Argentino, tradutor e coxinha-lover. Eurofã desde 2002, já está acostumado à decepção anual por parte da Espanha ou do Reino Unido. Gosta de tirar sarro das transmissões do Iñigo na TVE.

Comments

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6 Comments

  1. Matheus Gomes says:

    Depois de muito tempo, eles voltaram a ser recebidos de braços abertos pela comunidade eurovisiva, esse é o motivo do enorme sorriso estampado na cara da delegação francesa.

    Sobre uma possível vitória, é preciso olhar para o fraco histórico do stage francês… tô na torcida para que não mostrem o mesmo desinteresse que o Maraaya, cuja performance era tão singela e esquecível, que, mesmo sendo apontados como favoritos, acabaram sendo punidos com a “honra” de abrir o festival.

    Boa sorte ao Amir e também ao Edoardo, responsável por reposicionar uma peça importante no tabuleiro.

  2. Rafael says:

    Essa música não é apenas a minha favorita esse ano, ela está no meu top cinco de músicas favoritas essa década. Simplesmente sensacional! Acho que vou ficar decepcionado com qualquer coisa menor que um top 5/top 3 para a França esse ano (sim, sei que estou apostando muito alto e o risco de eu quebrar a cara é enorme, mas!!!)

    E quanto ao stage, eu estou confiante de que vai ser muito bom. O Amir já confirmou que a delegação francesa não vai usar as dançarinas de tutu e li boatos de que quem vai produzir o stage vai ser a HK Corp (a mesma produtora que fez o clipe), e eles também conseguem fazer vídeos tipo esse, o qual eu imagino que seja bem possível de fazer “ao vivo”: https://vimeo.com/97911755

    Eu realmente espero que em 2017 o Eurovision seja em Paris. Seria ótimo ver uma música contemporânea, com um cantor tão carismático e que não é completamente em inglês vencendo.

  3. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Acho que a frança será top 5 este ano, mas a minha nota para essa musica é longe disso: 6,5.

  4. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Porem, simplesmente, se vencer, será na minha opinião a pior musica da década de 2010 a vencer o Eurovision.

  5. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Vocês irão fazer analises dos ensaios 2016?

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