Austrália 2016: enchendo o cartão de milhas

abril 16th, 2016 | by Dave
Austrália 2016: enchendo o cartão de milhas
Análises 2016
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Alô, gente linda!

Depois de muitas análises reclamando da má sorte, enfim eu peguei um país que eu amo e uma artista que amo ainda mais. A Austrália será representada no Eurovision 2016 pela Dami Im. Desde já, peço desculpas pela falta de objetividade em alguns trechos da análise – o forninho caiu e eu nem me importei em segurá-lo.

A Austrália no Eurovision

Falar da história da Austrália no Eurovision não é tão fácil quanto você imagina. O país oceânico começou a retransmitir o festival em 1983, mas já tinha sido parte do festival antes: a Olivia Newton-John (australiana de coração) representou o Reino Unido em 1974 com a brega linda Long Live Love, ficando em quarta. Já em 1996, a BBC voltou a confiar sua participação numa artista australiana: a diva Gina G cantou uma pros gays e ficou em oitava com Uh… Ah… Just A Little Bit.

Mas isso tudo é fichinha, quando lembramos que o Mister Eurovision, senhor Johnny Logan, é nascido na Austrália. Ele tem, sozinho, mais vitórias no Eurovision do que três dos cinco Big Five – ou do que todos os balcânicos somados, por exemplo. Se Logan fosse um país, só estaria atrás de seis países em número de troféus. São dois como cantor (1980 com What’s Another Year e 1987 com Hold Me Now) e um como compositor (em 1992, com Why Me, cantada por Linda Martin).

Em 2014, os australianos foram convidados a participar do interval act da segunda semifinal. A encarregada da tarefa foi a Jessica Mauboy. E, em 2015, a Austrália foi convidada para a sua primeira participação formal (competindo e tudo). O convite foi anunciado como uma “exceção”, motivada pelo 60° aniversário do festival (e, caso a Austrália ganhasse, o país ficaria no festival pelo menos em 2016 também). O Guy Sebastian, finalista direto, ficou em quinto com a empolgante Tonight Again.

Não sabemos se foi por causa da maravilhosa apresentação de 2015, por uma profusão de bondade da EBU ou por necessidade de grana (mentira, sabemos sim), mas a Austrália foi convidada de novo para a edição de 2016. Diferente do ano passado, a SBS participará das semifinais.

 Coreia – Austrália – Suécia

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Dami, divando em preto e branco

A artista selecionada para representar os australianos este ano é a fofíssima Dami Im. Nascida em Incheon, Coreia do Sul, em 1988, a Dami mora na Austrália desde pequena. Estudou música desde os 11 anos, e se graduou como Bacharel em Música na Universidade de Brisbane. A vida desta cantora de coros cristãos e professora de piano mudou radicalmente em 2013, quando participou da quinta edição do X Factor Australia.

Vejam a audição da Dami Im. Agora vejam ela na sua última performance. Sim, é a mesma mulher nos dois vídeos. Entre um e outro, ela cantou absolutamente todos os gêneros que você pode imaginar (disco, pop, pop-dance, rock e baladas emotivas), deixando todo mundo de queixo caído com cada apresentação. Quase não houve programa em que a Dami não recebesse aplausos de pé, tanto da audiência quanto do júri. O Ronan Keating, um dos jurados desse ano, chegou a pedir um programa à parte para a Dami, tão disparado era o nível dela comparado com o resto dos participantes.

Dami Im foi a grande vencedora do reality. Logo após a vitória, lançou o álbum Heart Beats e os singles Alive, Super Love e Gladiator, todos grandes hits tanto na Austrália quanto na Coreia do Sul.

 

Enjoy The (Sound Of) Silence

Vídeo oficial

Eu sou uma pessoa acostumada a torcer pela Espanha no Eurovision. E acreditem: é mais difícil torcer pela Espanha no Eurovision do que pelo Vasco na “vida real”. É tanto sofrimento com os Brujerías da vida, que passei a criar algumas regrinhas para mim mesmo, com o intuito de sofrer menos. Uma delas, por exemplo, é não me empolgar com a escolha de um artista antes de conhecer a canção – a Espanha é mestre de escolher nomes certos com músicas inadequadas. Apliquei o mesmo raciocínio na Austrália, quando anunciaram a Dami, por temer uma música fraca.

Mas não, não há música da Dami Im que possa ser qualificada como fraca: Sound Of Silence é uma balada pop com fortes batidas R&B, composta por Anthony Egizii e David Musumeci (responsáveis por hits como Wings, da Delta Goodrem).

A música tem o que uma esmagadora quantidade de músicas deste ano necessita: estrutura. A canção começa, explode no refrão, volta a ser mais calma, explode mais uma vez, tem um agudo para marcar o último refrão e explode de novo, para já acabar. E olha: uma música “fazer sentido estruturalmente”, este ano… não está sendo fácil.

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Dami, diva da sofrência

A música é pretensiosa, sim. Tem notas altas e baixas o tempo todo, sim. Possui um agudo rouco como keychange, sim. Precisa ser cantada com sentimento, sim. Mas depois de ver essas apresentações da Dami no X Factor, você tem alguma dúvida de que ela conseguirá cantar Sound Of Silence majestosamente no palco do Globen Arena? Se sim, fale com seu médico.

É tanto amor que tenho pela Dami e pela Austrália, que precisei de muita disciplina e concentração para encontrar pontos negativos na proposta australiana. Mas é minha função aqui para o ESC12points, e vou cumpri-la! A música, mesmo em apenas três minutos, consegue a proeza de soar repetitiva – alguém contou quantas vezes ela canta “silence”? Mas o mais preocupante é que a Dami é dessas artistas que podem parecer, digamos, “esquisitinha” no palco. Duvido que seja o tipo de estranheza que tire pontos das mãos da música, mas prefiro não confiar demais e acabar decepcionado com o resultado.

Estamos diante de uma das melhores músicas deste Eurovision. A canção é ótima e está nas mãos de uma artista que pode lidar com ela. Deveria, facilmente, alcançar o top three. Mas tem muita gente que reclama da participação da Austrália no EUROvision (beijos Israel e Azerbaijão), e temo que essa “xenofobia” consiga afetar o resultado final. Há uma coisa que eu ainda não consigo entender: quem pode reclamar da participação da Austrália com músicas boas, quando temos estes San Marinos ou Georgias (x2)?!

 

Heroes: a música é impecável, a Dami pode cantá-la sem problemas, e a Austrália tem o senso para fazer uma apresentação de acordo a canção.
Zeroes: xenofobia, estranheza no palco.

Draw: a Austrália será a décima canção a se apresentar, entre Lituânia e Eslovênia. Diferente de Montenegro, Bielorrússia e Geórgia, não deve se preocupar com visitar o aeroporto na sexta-feira.

 

Nota do editor: 10 (o meu único 10 do ano)

Ranking ESC12points: 2º lugar

Nota ESC12points: 9 (maior nota: Dave, 10; menor nota: Matheus e Andreas, 7)

Argentino, tradutor e coxinha-lover. Eurofã desde 2002, já está acostumado à decepção anual por parte da Espanha ou do Reino Unido. Gosta de tirar sarro das transmissões do Iñigo na TVE.

Comments

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3 Comments

  1. Rafael says:

    Gostei bastante da análise Dave, concordo completamente com você! Na minha opinião, junto com J’ai cherché essa música é a mais contemporânea e radio-friendly esse ano do Eurovision, o que tem um grande peso positivo para mim.

    Aliás, eu odeio tanto essa reprovação quanto a Austrália participar do Eurovision! Se alguém traz comida boa para a festa, por que não deixar ela participar? Só por que ela mora longe??

    De qualquer forma, espero que a Austrália termine tão bem quanto ano passado, pois eles definitivamente merecem! A propósito, fiquei meio surpreso com o segundo lugar no ranking de vocês, eu achei que o top 2 seria entre a Espanha e a França ahahsahuhs

  2. Matheus Gomes says:

    Final fácil para a Austrália, mas não vejo disputando o título, eu tô com uma forte impressão que o palco será uma grande cafonice (ou simples demais, dando no mesmo).

    Mas para isso, temos que aguardar, né?

  3. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Eu amei analise, a musica é boa, mas acho que não ganhará titulo, espero que a Linda Barei vença. Mas espero que a Dami fique na frente do Amir.

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