Alemanha 2016: Quando uma ótima música não basta

abril 22nd, 2016 | by Filipe Lima
Alemanha 2016: Quando uma ótima música não basta
Análises 2016
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Olá, amigos-leitores do ESC12points!

Hoje, termino a minha participação nesta temporada de análises das canções do Eurovision 2016. Como sempre, foi um orgulho e um prazer poder discutir com vocês, que adoram o festival tanto quanto a gente, sobre as participantes desta edição. Fecho a minha presença com um país que vai para Estocolmo com ótima canção, mas tem grandes chances de decepcionar…

 

O país

Assim como aconteceu na semana passada, com a Sérvia, estou reaproveitando parte do texto que usei em 2012 ao analisar os alemães:

A Alemanha é o “arroz de festa eurovisivo”. Está no festival desde sua primeira edição, e só não se apresentou em 1996 – e não foi por desistência, mas, sim, porque houve uma fase de pré-seleção naquele ano, e os alemães não se classificaram. Nenhum outro país contabiliza 59 participações no ESC. Os alemães, apesar de sempre presentes, têm um retrospecto consideravelmente fraco. Conquistaram a vitória somente em duas ocasiões, 1982 (com Nicole) e 2010 (com Lena), enquanto ficaram com a última colocação seis vezes – números que fazem do país o menos bem-sucedido dos Big Five.

Uma destas seis vezes que a Alemanha ficou com a lanterna do Eurovision foi exatamente no ano passado. Ann Sophie viu sua Black Smoke não só terminar com o último lugar, mas com nul points – algo que não acontecia em uma final do festival desde 2003.

 

A artista

jamie-lee-2Jamie-Lee tem dois objetivos: vencer o Eurovision, e juntar as sete esferas do dragão

Nascida em Bennigsen (localidade próxima a Hannover), Jamie-Lee Kriewitz é uma cantora que, apesar de jovem (recém-completou 18 anos), tem um talento enorme. E não demorou muito para que este talento chamasse a atenção de seu país. Ela participou da última temporada do The Voice da Alemanha, e acabou como a campeã da edição. Desde o reality show, Jamie-Lee já exibia seu visual peculiar, baseado na cultura asiática, que voltou a mostrar na Final Nacional para o Eurovision (e provavelmente repetirá em Estocolmo).

Uma curiosidade: a canção Ghost não foi criada pensando no Eurovision Song Contest. Ela surgiu, na verdade, para o The Voice alemão. Na final do reality show, cada finalista tinha que apresentar um single original – e Ghost foi o de Jamie-Lee. A música, além de garantir à jovem cantora o troféu do The Voice, acabou por virar um sucesso. Aproveitando o êxito, decidiram inscrevê-la na Final Nacional alemã – onde Jamie-Lee voltou a vencer, em superfinal contra Alex Diehl e Avantasia, com 44,5% dos votos.

 

Análise

Videoclipe de Ghost / Apresentação na Final Nacional

jamie-lee-1Jamie-Lee, pensando no Charmander

Bom… Vamos ser sinceros e diretos? Ghost é uma das melhores canções do Eurovision 2016. Arriscaria a dizer, até, que é a melhor de todas deste ano. E, além da ótima música, a intérprete também é de primeiro escalão: Jamie-Lee, apesar de bastante jovem, tem uma voz de altíssimo nível. Porém (sempre há um porém, não é?), eu tenho a certeza absoluta de que a Alemanha terá um resultado extremamente abaixo do que a canção merece (que seria, no mínimo, um top five).

Já faz muito tempo que o Eurovision não é somente o que o nome diz – um Song Contest. Hoje em dia, o Eurovision tornou-se totalmente dependente da imagem ao vivo. Atualmente, se o festival fosse sincero, ele se chamaria Eurovision Live Videoclip Contest. Porque é isso que ele é: uma competição onde cada país tem três minutos para desenvolver um videoclipe ao vivo. A música está lá, óbvio, e continua importando, mas é somente um de diversos fatores que contam para definir o vencedor.

E a Jamie-Lee “assusta” com seus trajes asiáticos. “Ah, a Conchita também impressionava pelo visual”. Sim, mas por um lado completamente diferente – havia uma causa a ser defendida pelo visual. A impressão que eu tenho é a seguinte: Ghost é uma canção de primeiro nível no Eurovision deste ano. Mas não tem como fazer uma mega apresentação de uma canção assim – e só isso já bastaria para eu não crer em vitória. Some-se a isso o vestuário da Jamie-Lee… pre-ri-go!

Minha torcida é para que os eurofãs e os jurados relevem o visual. Porque, se assim for, a Alemanha pode sonhar com um (merecido) resultado decente. Mas tenho sérias dúvidas quanto a isso acontecer.

 

Em outros anos…

Ghost é uma canção que continua a sequência de classy pops que a Alemanha tem apostado para o Eurovision. Portanto, prever algo é impossível: os alemães conseguiram, nessa vibe, desde a vitória da Lena ao nul points da Ann Sophie.

 

A favor… a música.
Contra… o visual.

Na final… a canção está diretamente qualificada para a noite decisiva do festival.

 

Nota do analista (Filipe): 9. E, assim como todas as outras canções que analisei, está no meu top ten pessoal.

Ranking ESC12points: 7º lugar
Nota ESC12points: 8 (maior nota: Fefe, 9,5; menor nota: Matheus, 6)

Jornalista por vocação e formação, bancário por bolso e sanidade. É fã de Eurovision desde as Afro-Dite, em 2002. Assistiu in loco à final de 2014, em Copenhague, e a todas as noites (inclusive as de júri) do festival de 2015, em Viena. O coração dele (quase) sempre bate pelos vizinhos Itália e Eslovênia.

Comments

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2 Comments

  1. Matheus Gomes says:

    Não é um trabalho ruim, essa menina é fofa e tal, mas também não me comoveu.

    Sobre as chances, não prevejo resultado interessante… vou apostar numa colocação entre 17 e 22.

  2. JEFFERSON LAMAS MACARONEL says:

    Será uma pena se a musica nao pegar top 10, realmente é uma das melhores deste ano, amei sua analise Felipe.

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